quarta-feira, 5 de abril de 2017

Distorções portuguesas (Parte 4)

Um pouco mais tarde do que tem sido habitual, o que se deve não só ao novo «ritmo» do Obamatório depois de Barack Obama ter deixado de ser presidente dos EUA mas também ainda à disrupção causada pela censura de que fui alvo num artigo escrito originalmente para o Público sobre os EUA no início da «era Donald Trump», eis finalmente a minha retrospectiva (mais ou menos) anual dos meus comentários em outros blogs relativamente à situação na grande nação do outro lado do Atlântico…
… Feitos, concretamente, nos seguintes espaços: Aventar (um, dois, três, quatro, cinco); Delito de Opinião (um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, quatorze, quinze, dezasseis, dezassete); Escrever é Triste (um, dois); Era uma Vez na América; Corta-Fitas; Estado Sentido; Horas Extraordinárias. Os temas incluiram: (des)controlo de armas; (falsas) «alterações climáticas»; violência dos «democratas» e «progressistas»; (falsos) «crimes de ódio»; presença americana no Iraque; o desenrolar das eleições presidenciais; (diferentes) «balanços» da presidência de Barack Obama; terrorismo islâmico; (deficiente) cobertura jornalística dos EUA em Portugal; hipocrisia dos «activistas ecológicos»; quem é que, de facto, mostrou-se «flexível» com a Rússia; Nixon perante a China, Obama perante o Irão; início da presidência de Donald Trump; a «cultura», ou falta dela, do anterior presidente dos EUA.
Mesmo tratando-se de blogs, e/ou de colaboradores de blogs, que possam eventualmente ter opiniões, posições, diferentes das que eu expresso nestes e noutros comentários, o certo é que – e isso é sempre de louvar – aqueles permitem que esses comentários (meus e de outros) sejam publicados, e frequentemente proporcionam discussões… mais ou menos pacíficas. Porém,  que dizer daqueles espaços na Internet que abordam igualmente, entre outros, temas relativos aos EUA, mas que não permitem comentários? Já os referi mais do que uma vez, e em especial um… o Sound + Vision de João Lopes. Ainda em Novembro passado mencionei o seu «esquecimento» de graves, reprováveis, afirmações de Madonna… Depois disso, as «postas» contra Donald Trump e o Partido Republicano têm-se sucedido com alguma regularidade… embora nem sempre com relevância. Na mais recente mensagem que lhe enviei, a 18 de Janeiro último (e que, como quase sempre aconteceu, não teve resposta), escrevi o  seguinte: «nem sempre considero justificado contactar os autores do Sound + Vision por causa de textos nele publicados, embora vários me suscitem regularmente dúvidas e mesmo desacordos. Porém, posso abrir excepções com aqueles em que os disparates são evidentes, como este... Que começa logo por ter um título... insólito - não tenho ideia de alguma vez o próximo presidente dos EUA ter tentado ser crítico musical. E passo por cima de expressões pueris como “pior banda do Mundo” e “sensibilidade rastejante” para me focar no que é, aqui, essencial - a afirmação “ficamos com uma certeza: durante quatro anos, a Casa Branca vai empenhar-se em alhear-se das dinâmicas da cultura pop”. Duas questões (que me vejo forçado a colocar, novamente, por mensagem electrónica, já que o vosso blog continua a não aceitar comentários)… Primeira, como é que ficaram com essa certeza? Alguma fonte da equipa de Donald Trump vos garantiu isso? Ou têm a capacidade de adivinhar o futuro? Segunda, porque é que a Casa Branca não deve “alhear-se das dinâmicas da música pop”? Acaso não há assuntos mais importantes a tratar por parte do governo federal norte-americano? Que prejuízos graves adviriam desse suposto “alheamento”? É certo que Barack Obama não se alheou da cultura pop - tanto que até acolheu na Casa Branca artistas com linguagem tão ou mais desagradável do que aquela demonstrada por Donald Trump. E se este (e/ou a sua equipa) não conseguiu assegurar mais artistas famosos para a sua inauguração e terá de se “contentar” com os 3 Doors Down, tal se deveu principalmente - como talvez o senhor saiba - ou a divergências ideológicas por parte de uns artistas, ou a outros terem sido insultados e/ou ameaçados de morte quando se soube que haviam sido convidados e/ou haviam aceite o convite - são os casos de Andrea Bocelli e de Jennifer Holliday. Vai o João Lopes, no S + V e/ou no Diário de Notícias, referir e condenar tais actos? Pouco provável, dado que, até agora, nunca mencionou o (muito desagradável) facto de Madonna ter feito a promessa - que depois não cumpriu - de fazer um fellatio a todos os homens que votassem em Hillary Clinton.» 
Muito pior, no entanto, do que não admitir comentários num blog é admiti-los… selectivamente. Foi o que aconteceu no Escrever é Triste, e, mais concretamente, com um dos seus colaboradores, Manuel S. Fonseca; ao contrário de Guiherme Godinho e de Pedro Norton, outros dois «blogueiros» do EeT, que publicaram comentários meus e comigo estabeleceram diálogos cordiais (ambos, aliás, são mencionados na lista acima), o editor da Guerra & Paz está desde 7 de Fevereiro (!) por publicar o seguinte comentário meu a este seu texto: «”Donald Trump não é capaz de um pingo de bondade. (…) Donald Trump rejeita de forma liminar e revolucionária a ideia de amar o próximo como a si mesmo.” Bastou uma rápida pesquisa para encontrar exemplos que desmentem estes disparates. Por exemplo, aqui… Ou aqui… Ou ainda aqui É verdade: não há pior cego do que aquele que não quer ver. Há pessoas que preferem aos factos as (suas) fantasias, os (seus) preconceitos…. e por isso mais facilmente acreditam nas “fake news”». Uma constatação que, evidentemente, não se aplica someste a este caso. E que explica igualmente porque é mais provável que essas pessoas façam censura.